Ah, ultimamente tenho me sentido um tanto transitória, mudo de opinião constantemente, então, não levem essa pseudo-descrição a sério...
[ perfil psicológico ]
Acho que cheguei à conclusão que tenho sérios problemas psicológicos... hahaha... Sou extremamente inquieta, com tendências melancólicas e apresento sinais patológicos da famosa Síndrome da Montanha-Russa, que afeta o humor dos mais desavisados (tipo eu!)... Além disso, costumo esquecer as datas mais importantes, desde aniversários de amigos queridos até consultas no médico (cheguei ao cúmulo de esquecer o aniversário do meu próprio irmão!) e adoro quando alguém me liga pra bater um papo naquele sábado à tarde chuvoso e tedioso, porque as pessoas sempre acabam concluindo que eu falo demais (e eu realmente falo demais!)... O povo da Federal costuma dizer que eu moro onde Judas perdeu as botas (e a paciência)... Moro mesmo, e daí?? Tenho mania de terminar praticamente todas as frases do blog com as famosas (...); de acordar no meio da noite pra escrever e depois constatar que, da próxima vez, seria melhor virar pro lado e dormir e de tocar violão só pra ouvir a minha mãe reclamando: "Mas, menina, você não tinha que estudar?"
[ fundo musical ]
Ando ouvindo Los Hermanos a torto e a direito (e esperando urgentemente por uma alma caridosa que tenha dinheiro em caixa pra me dar "Ventura"), Guano Apes e Seagull Screaming Kiss Her Kiss Her (graças à Juju!), Pato Fu, Maria Rita (!), Cássia Eller, Cazuza... E, é claro, pros dias melancólicos a gente apela pra boa e velha Legião Urbana, Colplay, Alanis (essa é pros dias agressivos... hehehe), Djavan...
[ na prateleira ]
Tenho realmente uma pilha de coisas pra ler, mas vamos lá... Estou lendo "Demian", do Hermann Hesse; "Feliz Ano Velho", do Marcelo Rubens Paiva e acabei o último do Harry Potter, que só serviu mesmo pra deixar mais claro que a Mione é a mais foda... Na espera tem, "Villa-Lobos", do José Louzeiro; "Verdade Tropical", do Caetano Veloso (esse é pra reler!); "Vaga Música", da Cecília Meirelles, "Os Irmãos Karamazóv", de Dostoiévisk e "A Náusea", de Sartre... Os que li recentemente e recomendo: "Paisagem", da Lygia Bojunga Nunes; "Verão no Aquário", da Lygia Fagundes Telles; "Viagem", Cecília Meirelles; "Crime e Castigo", de Dostoiévisk (ele é longuinho, mais é maravilhoso!); "Olhai os Lírios do Campo", do Érico Veríssimo e "Perto do Coração Selvagem", da Clarice Lispector... Ufa!
[ c o n t a t o ]
e-mail: l_delaura@yahoo.com.br
#icq: 100745227
Sentou-se por um instante. Estava cansada, a cabeça latejando idéias desencontradas. O vizinho ouvia uma ópera italiana, dessas bem tristes, deprimentes mesmo. Ouvia-se agora um barítono sofrido e constante, interrompido às vezes por uma voz fina de súplica desolada. A música penetrava o seu mundo irretocável e ela se percebia levemente irritada. "Ele deve ser só", pensou ela, com um quê de meio sorriso nos lábios."Muito só".
Era sempre assim, às nove da noite, sem atrasos, ele colocava a tal ópera pra tocar, alto, alto... E ela imaginava um homem de meia-idade, expressão puída e retraída, talvez bem acomodado em uma poltrona macia. Quem sabe um gato no colo, uísque na mesa, mão no queixo, olhar perdido... Mas, e a ópera? "Deve remetê-lo a um amor passado, desses bem impossíveis", refletiu fitando a parede fria que separava ambos os mundos. "Lá deve ser tudo preto-e-branco, como nesses filmes dos anos 50". Parou e riu. Pra si mesma.
Estava com fome, procurou na geladeira algo interessante. Nada. Só o leite que comprara de manhã cedo... "Sabia que o leite é o alimento mais consumido no mundo?", comentou consigo, de dentro da própria solidão.
Olhou-se no espelho, mas não reconheceu aqueles olhos sem brilho, aquele aspecto de quem espera amanhecer dentro de si. Era o avesso do avesso do avesso do avesso, como disse Caetano. E ela, que adorava Caetano, surpreendeu-se cantarolando baixinho (em meio à ópera serenada):
"Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo"
Surpreendeu-se com uma vontade imensa de dançar, mas não teve coragem, a vontade ficou presa entre o suspiro e os passos desencontrados. Parou diante do quarto à meia-luz, com cara de criança que quer subir em árvore. Remexeu cuidadosamente nos papéis do trabalho, sem emoção. Odiava tudo aquilo. As pálpebras pesavam um pouco e o coração batia - tedioso, conformado, coração - apenas batia. Levou uma das mãos ao peito, como quem procura ainda aquele ruído descompassado e irracional que um dia conheceu, mas resistiu. Ignorou. E, aos poucos, sufocou...
Acariciou de leve a colcha de retalhos que cobria a cama e dava ao quarto um aspecto trivial. Tentou como pôde esvaziar os pensamentos, deixar de lado as batidas compassadas e doloridas. Mas era fraca, pensou ao cabo de alguns minutos, como era fraca. Era tão fraca que não tinha medo, apenas faltavam-lhe as certezas. Travava-se longa batalha dentro de si, mas faltava-lhe discernimento para compreendê-la.
E a triste ópera do vizinho deixou de tocar, sem que ela percebesse. Quando aguçou mais uma vez os ouvidos não mais estava lá. Eram assim constantemente os dias de sua vida. Imaginou-o recolhendo-se em pensamentos singelos, talvez remoendo o passado frívolo, algum passo mal dado, ou mal recebido... O gato daqui a pouco sairia pela cidade em busca de aventuras, para, mais tarde, quem sabe, contá-las silenciosamente ao dono.
"Mas que noite!", admirou-se, observando o céu límpido e convidativo e bocejou de leve, sentindo o sono apoderar-se dela. Percebia em si a opressão dos sonhos desfeitos pelo leve tremor dos lábios. Mas ela continuava, seguia adiante, sobrevivia. "Se isso, afinal, não é coragem, é o quê?"
Antes de adormecer, pensou ainda mais uma vez no gato vagando pela noite imensa... "Gato de sorte", suspirou. "Gato sortudo", e dormiu.
por LAURINHA GUIMARÃES * 12:08 AM
[Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004]
lalalalalaal.... Eu vooooooooooooooooou!!!!!!
por LAURINHA GUIMARÃES * 10:13 PM
[Domingo, Fevereiro 22, 2004]
"E o Pierrot chora pelo amor da Colombina"- Los Hermanos
...Ritmo de Carnaval...
...blah...
Mas o carnaval começou bem, meu pai comprou um gravador de CDs (finalmente!!), acabei de gravar um inteirinho de músicas da Elis Regina, tô com aquela cara de criança feliz... hahaha... E o Multishow é mesmo ótimo, assisti um documentário sobre a Cássia Eller, depois passou o do Cazuza de novo... E, é claro, o melhor programa da noite de Domingo, na GNT, o Saia Justa... Nossa, eu não perco um, ô programinha inteligente, divertido... Pra quem nunca viu, vale a pena conferir: aos sábados às 23:00 e aos domingos às 19:00...
E programei três filmes para esse feriado: "Dogville", "Encantadora de Baleias" e "Peixe Grande"... Além disso tenho que agilizar algumas coisinhas pendentes do Grêmio, principalmente sobre o Sarau de quinta e sobre o Dia da Mulher... A gente tem em mente uma programação legal. Vamos chamar alguém da Delegacia da Mulher, uma enfermeira para falar sobre as DSTs, tentar entrar em contato com algum grupo feminista e chamar uma professora que no ano passado deu uma palestra sobre a trajetória da mulher na história... Hum... Se a gente conseguir vai ser ótimo...
Só que os meninos querem fazer o Dia do Homem!!! Meninas, cá entre nós... Me divirto só em imaginar...
E tem a perspectiva do show dos Los Hermanos, eu me martirizo por ter perdido o do ano passado, esse ano eu não vou perder meeeeeesmo!!!
E, a pedidos, coloco aqui as pérolas da primeira semana de aula, que eu escrevi no Blog das Jôs (tem um link aí do lado e tudo)...
- "Até quando eu faço sexo com o meu marido isso é um ato Geopolítico", by Prof Delacir, a tosca!
- "Quero só ver se meu pai vai deixar eu fazer Geopolítica em casa" - by Fabi, após a declaração (extremamente pedagógica) acima da prof Delacir de que o sexo era uma jogada política...
- "Meninos, não sentem com o pé na cadeira, é deselegante!" - by Prof Delacir, o "poço de elegância"...
- "Meu, olha quem vem falar em brega, tipo, ela tem uma mecha ROSA no cabelo!!!" - by Maíra, a revoltada, após a nossa querida prof de Geopolítica falar: "Queridinha, não seja brega" (não pra Maíra, eu não lembro pra quem foi, tipo, metade do que ela falou eu nem ouvi...)
- "Que nada, pra mim parece mais o Senhozinho Malta!!" - by Maíra, após meu comentário de que aquelas pulseiras IRRITANTES da prof Delacir me faziam lembrar a saudosa Claudinha...
- "Meu, a gente podia fazer uma paródia com o 'Jovens Tardes' e fundar o 'Jovens Manhãs'" - by Fabi, nos ajudando a arrumar um nome significativo pra nossa Chapa do grêmio...
- "Já sei! Já sei! CHAPAIXÃO!!" - momento iluminado de Fabi, parodiando a CHAPAÇÃO da ETESP...
- (meu, essa é a melhor!)"Ah! Que tal CHAPA ARROZ DA MAMÃE!" - by Fabi (again!), nos explicando a subjetividade do nome, já que ele acarreta nas "entrelinhas": a CHAPA UNIDOS VENCEREMOS!
Essa Federal... E essa Delacir...
por LAURINHA GUIMARÃES * 8:55 PM
"Se o mundo é mesmo parecido com que vejo/ Prefiro acreditar no mundo do meu jeito/ E você estava esperando voar/ Mas como chegar até às nuvens com os pés no chão?" - Renato Russo
Dessa vez eu vou ao show dos Los Hermanos... Eu espero que dê pra comprar o ingresso ainda essa semana...
Acreditem se quiser, estava com lágrimas nos olhos quando acabei de ler o conto que segue abaixo... Clarice, pra variar... Sempre ela... Pensei em comentar alguma coisa, mas tá aí pra quem quiser conferir...
"A TENTAÇÃO" Clarice Lispector
Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.
Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava.
Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.
Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.
Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.
A menina abriu os olhos pasmados. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.
Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo.
Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.
Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.
No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.
Mas ambos eram comprometidos.
Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.
A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina.
Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.
por LAURINHA GUIMARÃES * 12:15 AM
[Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004]
"Agora eu era o rei, era bedel e era também juiz. E pela minha lei, a gente era obrigado a ser feliz!" - Chico Buarque
Bem que a Juju disse: "Se prepara que o terceiro ano é o ano da nostalgia..." Eu não agüento mais meus próprios pensamentos...
Hoje dei uma de andarilha por Pinheiros, foi legal à beça... Primeiro encontrei o livro da Virgínia Wolf que eu tanto queria num sebo em frente à FNAC (por falar em FNAC, abriu uma na Paulista, eu preciso ir lá!!!) e comprei CDs raros muito baratinhos num outro sebo (Pinheiros é a região dos sebos, cara!): "Gol de quem?", o primeiro do Pato Fu, um da Zélia Duncan e o single de "A Festa", da Maria Rita (tava escrito no encarte; CD promocional, venda proibida)... hahaha... Mas melhor mesmo foi ler o encarte do "Ruído Rosa", do Pato Fu: "Alguns ruídos e chiados encontrados nesse disco são intencionais e não representam defeitos de fabricação".
Depois fui procurar a Receita Federal, porque meu (bem informado) pai disse que tinha uma perto da Henrique Schaumman... Parei num bar e perguntei prum carinha lá onde é que ficava amaldita Receita... "Minha filha (cara de quem está se segurando para não rir), já fechou há muito tempo!", e pra variar, a tosca aqui não se deu por satisfeita, "Muito tempo quanto?", "Ah... Alguns anos!!" Só comigo mesmo!!!
Mas a ida à Pinheiros valeu a pena, encontrei uma pastelaria muito boa mesmo, perto da Kalunga...
Ah...
Tá bom, tá bom... A Nani People me entrvistou SIM!!!! SIIIIM, eu apareci na Hebe, agora, sério mesmo, se alguém mais me parar na Federal pra me perguntar isso, acho que vai me ver surtar DE VERDADE!!!! Já basta ter aula com a Delacir!!!!!!!!!!
E eu ganhei o Songbook do Chico Buarque!!!
lalala..... valeu Ju!!!!!
por LAURINHA GUIMARÃES * 8:54 PM
[Domingo, Fevereiro 15, 2004]
"- Tem saudade dessa época?/ - Dessa época, não, mas da vida que poderia ter sido." - trecho de "A Idade da Razão", de Sartre
Finalmente consegui assistir "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain", que estava na minha lista a séculos e constatei o óbvio: ele é realmente demais!!! A fotografia é impecável, tons de verde e vermelho que transformam muitas cenas em verdadeiras obras de arte!! O roteiro é especial também, cheio de surpresas, tudo muito elaborado e sutil... Gostei de tudo, mas tem duas coisas que me chamaram mais a atenção... Ambas no comecinho... Primeiro quando ainda passam os letreiros... Numa tentativa de retratar a infância de Amelie, o filme mostra um monte de brincadeiras que as crianças fazem, nossa, eu me empolguei nessa parte, fiquei boba mesmo... E, depois, a apresentação dos personagens, pelo que gostam e não gostam... Genial!! Mas acho que o que me emocionou no filme foi a maneira com que eu me identifiquei com a personagem principal... Ela vive num mundo próprio, mágico, fora da realidade... E, afinal, o que é realidade? Será que seremos mais felizes ao tentarmos nos encaixar?? Nos rotular?? Massificar?? Vale a pena pela reflexão, pela sensibilidade, pela inocência... Lindo!
Outra boa pedida é "A Excêntrica Família de Antônia"... Esse eu assisti lá nos confins do Campo Limpo na casa da Juju e se eu não me engano ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, ou algum prêmio em Cannes... E, na primeira oportunidade que eu tiver vou correndo assisir "A Encantadora de Baleias", tô muito a fim...
Cai o pano quase que instantaneamente
A boneca ri de seu teatro ambivalente
A boca seca de incertezas conformadas
Não cala a dor que vem das duas mãos atadas.
Segue o palhaço - mesmo que inutilmente
Olhos já cegos pelo escuro reticente
Condena tarde as outras noites mal contadas
Que de tão puras chegam a ser inocentadas.
O par ferfeito segue a cena inquietante
Não mais se esquivam os negros olhos conflitantes
E a platéia, ao fim do enredo, desolada
Percebe a morte vil nas cartas já marcadas.
Laura (14/02)
ai.... ai....
O dia de ontem rendeu esse poema e uma crise de insônia infernal...
E que venham as aulas!!!
por LAURINHA GUIMARÃES * 5:55 PM
[Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004]
"Eu que tinha tudo, hoje estou mudo, estou mudado, à meia noite, à meia-luz, pensando... Daria tudo por um modo de esquecer... Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto, à meia noite, à meia-luz, sonhando... Daria tudo por meu mundo e nada mais..." - Guilherme Arantes
Tento lutar contra um monte de sentimentos ao mesmo tempo... Mas, não consigo... E, ultimamente, tem sido difícil evitar...
Queria tanto olhar pras coisas como se ainda fosse criança, como se por trás de tudo houvesse uma mão mágica, um pressuposto lógico ou alguma razão subjetiva ocultando maravilhas absurdas e inimagináveis... Queria tanto carregar comigo ainda aquela vida, aqueles tempos, aqueles olhos puros, aquilo tudo...
Não sei porque me bate às vezes essa melancolia, esse nó na garganta pelo que não vi, pelo que não vivi, pelo que não fui... Ou pelo que deveria ter sido... Talvez seja pelo que deveria estar sendo e não é... Será? Mas porque? Porque será que não consigo mais olhar nos olhos, encarar de frente aquilo que sempre quis evitar e que agora me sufoca, me ilude, me destrói... Sim, destrói pela incerteza das palavras, que machucam os sentidos e tornam aqueles momentos que poderiam ter sido apenas tolas hipóteses frustradas, insanas, irreais... Palavras tornam tudo tão plausível, tão medível, tão cabível... Como medir minhas palavras? Como batizar meus sentimentos???
Sei que tola sou eu por não arriscar... Mas não quero arriscar algo tão puro por um impulso inexplicável e egoísta... Não tenho esse direito...
O jeito é fechar os olhos e esperar que tudo passe...
Mas como impedir a água de seguir seu fluxo?
blah... acho que vou dormir....
Daquilo que eu sei Ivan Lins
Nem tudo me deu clareza
Nem tudo foi permitido
Nem tudo me deu certeza
Daquilo que eu sei
Nem tudo foi proibido
Nem tudo me foi possível
Nem tudo foi concebido
Não fechei os olhos
Não tapei os ouvidos
Cheirei, toquei, provei
Ah! Eu usei todos os sentidos
Só não lavei as mãos
E, por isso que eu me sinto
Cada vez mais limpo
(... será que algum dia eu vou me sentir assim, como na música??)
por LAURINHA GUIMARÃES * 10:00 PM
[Domingo, Fevereiro 08, 2004]
"Abri a mão em cima da gravura com tachas na parede. Havia uma rosa de Van Gogh que tinha a mesma cor da minha mão. Rosas num pote verde. Tão inocentes, não? Um pote verde com rosas. Contudo, bastava olhar mais demoradamente para surgir a primeira dúvida: eram rosas vermelhas? Brancas? Amarelas? Todas as cores se empastavam nas pétalas entumescidas e que desabrochavam em labirintos escalavrados pelo pincel na ânsia de encontrar uma saída. Em vão ele abrira talhos profundos na massa espessa das corolas, rodando pelos mesmos caminhos como um viajante perdido na mata. Havia esperança? A resposta vinha do sangue que as pétalas gretadas iam vertendo: enquanto houver desespero, diziam elas, haverá luta. E na luta há salvação." - trecho retirado do livro "Verão no Aquário", de Lygia Fagundes Telles
O trecho que abre o post de hoje é dedicado a uma menina muito especial que, nada mais nada menos, senhoras e senhores, passou em 000001 em Artes Plásticas na USP!!!! Isso mesmo!!!! E o melhor não foi nem isso, melhor mesmo foi a resposta que ela me deu: "Meu, mas foi sem querer...". Tá certo, brincadeirinhas à parte, Ví, um super-mega-ultra-hiper-big PARABÉNS, porque você merece!!! E, como diria a Schimelly: "Mamãe, eu quero ser a Viviam quando eu crescer!"
Quando conseguir (!!!!) eu coloco as fotinhos da exposição do Picasso no IGLU, digo, na OCA... Foi um dia e tanto: chuva, chuva, chuva... Teve até um caminhão tosco que jogou água na gente... Sério! Mas eu nunca ri tanto na minha vida... Não que a exposição tenha algo de cômico, mas é que quando eu e a Pasqualini começamos... hehehe... Não dá mais pra parar!! A exposição foi bem interessante, tinham uns quadros surpreendentes, outros nem tanto assim... E só de pensar que a coisa toda foi orçada em 6 milhões de reais... Nossa! Pena que o quadro que eu tanto queria ver não estava lá: "Les Demoiselles D'Aavignon"...
A pérola do dia, é claro, foi da Mariana que, ao constatar que Picasso fazia inúmeros estudos até concluir uma tela, disse: "O mundo da arte caiu pra mim", pensando que os pintores faziam tudo na raça... Bom, Mari, alguns até fazem... hehehe... Mas, como diria o próprio Picasso:" A arte é uma mentira que diz a verdade"....
Terça-feira, dia 10/02, às 8:00, pra quem vai ajudar na Gincana! Bom, quero ver todo mundo na Integração, hein?
Tá dando um trabalhão, uma canseira, mas espero que tudo dê certo!!
E, quem puder comprar tinta guache, ajudaria pra caramba... Acho que uns 5 potinhos por pessoa tá bom... É baratinho!!
Espero vocês lá!!!
por LAURINHA GUIMARÃES * 9:15 PM
... tenho umas coisas pra postar, mas tô com preguiça, então deixo a música do Pato Fu que eu ouvi o dia todo hoje... É triste, mas é verdade... atualizei algumas coisinhas no blog: meu perfil (finalmente!) e coloquei alguns blogs e sites ótimos... agora só falta a Juju me ajudar a colocar os arquivos, né?!
Tribunal de Causas Realmente Pequenas (Fernanda Takai/John)
Você pensa que faz o que quer
Não faz
E que quer fazer o que faz
Não quer
Tá pensando que Deus vai ajudar
Não vai
E que há males que vem para o bem
Não vem
Você acha que ela há de voltar
Não há
E que ao menos alguém vai escapar
Ninguém
Paro pra pensar
Mas não penso mais
De um minuto
Sem pensar em alguém
Que não pára pra pensar em ninguém
Você acha que eu tenho demais
Roubei
Você acha que eu não sou capaz
Matei
por LAURINHA GUIMARÃES * 1:07 AM
[Terça-feira, Fevereiro 03, 2004]
COMUNICADO URGENTE: GRÊMIO!!!
por: Raphael Soré e Che
"E aeeeeeeeeee pessoal, sou eu o magnânimo senhor, Raphael Soré, postando novamente. Dessa vez o post é importante, então prestem atenção, ok???
Hoje eu, o Che, a Livia e a Laurinha fomos até o CEFET para decidirmos alguns assuntos do Grêmio, foi então que surgiu a idéia de nós, veteranos, organizarmos a integração dos "bixos", então eu e o Che fomos falar com a direção. Descobrimos que ao invés do que se esperava, a integração não começará na próxima segunda, mas sim na terça pela manhã. Decorrerá terça e quarta pela manhã e quinta e sexta pela tarde.
A direção nos deu carta branca para organizar um trote "de bom gosto", uma gincana ou algo do gênero, assim vamos pedir apoio à professora Solange. Contamos com todo mundo lá a partir de terça às 10:30.
Bom, a primeira parte do post já se foi, a segunda parte vem agora (tô me achando o parta voz da presidência....).
Eu e o Che conheçemos uma menina lá no CEFET que passou em 450ª este ano para o médio, acontece que ela fica fazendo vários requerimentos para conseguir a terceira chamada, já que ela sabe que existem vagas remanescentes, mas ficam enrolando ela, então, por favor, se algum de vocês passou de segunda, terceira, quarta, quinta chamada, comenta aqui como fez pra conseguir e em quanto tempo conseguiu pra eu poder falar pra ela, blz??? Vamos lá people, sejam solidários, esse ano pode ser com a gente na Fuvest, na Unicamp etc....
Era só isso, então avisem todos sobre a integração pra ninguém ir em horário errado e ficar perdido.
Em breve vamos escrever uma programação sobre o que vamos organizar para a Evânia, então, se alguém tiver sugestões escreva-as. Sério nós precisamos!!!"
Bom, gente, é isso aê, participem!!!
Contamos com vocês!!!
por LAURINHA GUIMARÃES * 9:13 PM
[Domingo, Fevereiro 01, 2004]
"Disse ainda que tinha horror a planos, maquetes, neste lugar haverá uma praça, ali adiante uma avenida... Não haveria nada depois. E mesmo que houvesse seria tão diferente do que se sonhou que acabaria uma decepção ver o sonho realizado." fragmento de "Verão no Aquário", de Lígya Fagundes Telles
Às vezes me pergunto porque tudo aconteceu tão de repente e porque ainda está acontecendo...
Acho que precisava mesmo desse tapa, desse baque; mas porque deixei que as coisas chegassem a esse extremo?
O medo da morte voltou com mais intensidade dessa vez...
Antigamente eu não me importava, sentia o medo embaralhar minhas certezas, mas o despezava...
Agora é diferente...
Sinto-o cada vez mais concreto em meus atos...
A morte também está lá, mãos dadas com minhas eternas incertezas...